terça-feira, 18 de junho de 2013

ZIBIA não me representa!


A Revista Isto É publicou na edição nº 2.272 uma capa com o titulo: “O Império Espírita de Zíbia Gasparetto”. Em que pese o forte apelo para atrair leitores simpatizantes e contraditores do Espiritismo, a chamada induz à associação dos interesses financeiros da referida escritora à exploração comercial da crença espírita.
 Inicialmente destacando o sucesso mercadológico de Zíbia Gasparetto e o luxo de seu escritório no qual o repórter João Loes foi recebido, a matéria comenta a trajetória da psicógrafa, desde o início de suas experiências mediúnicas até a fundação do rentável negócio editorial mantido por ela e sua família.

A reportagem destaca a declaração da escritora de que não segue mais o Espiritismo, pois a mesma optou por trilhar caminhos que seriam incompatíveis com os princípios espíritas. Segundo a entrevistada, ela preferiu ter mais liberdade para agir e afirma não ter qualquer problema em receber os direitos autorais das obras psicografadas. “Não há problema em se ganhar dinheiro com a mediunidade”, diz ela. Em determinando momento da entrevista, Zíbia Gasparetto afirma, despudoradamente, que “Chico Xavier abriu mão dos direitos dos livros dele, mas uma vez chorou para mim, arrependido do que tinha feito”.

O texto é finalizado com a perspectiva de expansão dos negócios da família Gasparetto no nicho espiritualista, mencionando a abertura de novas frentes comerciais no rádio e televisão para constituir o império que a chamada de capa da revista erroneamente rotulou de espírita, pois se trata de um negócio privado construído sobre bases bem materiais.

O primeiro aspecto que deve ser criticado nessa reportagem é a conduta distorcida do responsável pela revista. Uma vez que na própria reportagem a entrevistada não se declara espírita, a Revista Isto É, portanto, comete dolo intencional ao usar o termo “espírita” em sua chamada de capa. A deplorável decisão do editor desse periódico pode induzir o leitor a associar o enriquecimento da mencionada escritora ao Espiritismo, fato esse que desvirtua o preceito espírita de não se cobrar pela atividade mediúnica. Ora, Sr. Editor, até que ponto as supostas vendas adicionais da revista compensam um ato de mau jornalismo?

O segundo aspecto a ser mencionado é a infeliz afirmação de Zíbia Gasparetto de que o médium Chico Xavier teria se arrependido de ter cedido integralmente os direitos autorais de seus livros. Ora Dª Gasparetto, será que a sua consciência está pesando por saber das consequências do apego à riqueza transitória e sua afirmação sobre Chico é uma tentativa de atenuar esse peso? Desde quando um homem que deu provas durante toda a sua vida de desinteresse material passou a reclamar sobre a situação financeira? Carece de fundamentação e lógica essa sua afirmação.

E o terceiro e último aspecto que merece ser mencionado é até favorável à Zíbia Gasparetto. Deve-se reconhecer que a mesma foi coerente ao não mais se afirmar adepta da Doutrina Espírita. Que bom seria se todas as pessoas descontentes com o Espiritismo simplesmente parassem de se autodenominar espíritas e assumissem outras linhas espiritualistas. Seria mais racional e elas parariam de gerar modismos e celeumas para tentar adequar a doutrina às próprias convicções.

Fonte: Educador Espirita

quarta-feira, 12 de junho de 2013

CIRURGIA ESPIRITUAL




A cirurgia espiritual não é consenso entre os espíritas. Muitos acreditam que a prática dá margem ao charlatanismo e não deveria ser realizada. De qualquer forma, o fenômeno da medicina espírita intriga a ciência e tem suscitado a realização de estudos. Um deles foi feito no Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Hospital das Clínicas de São Paulo, vinculado à Faculdade de Medicina da USP. Os cientistas acompanharam o trabalho de um famoso cirurgião espiritual de Goiás em seis pacientes. Eles verificaram que, embora não tivesse sido dada anestesia, praticamente não houve queixa de dor. Também não havia assepsia, mas nenhum doente teve infecção no período observado.

Outro médico que também faz pesquisas é o psiquiatra Sérgio Felipe de Oliveira, presidente da AME - Associação Médico-Espírita de São Paulo. “Há evidências suficientes para que a ciência se interesse pelo assunto. Na minha clínica, observo que quem recebe atendimento médico e espiritual toma menos remédios e adere melhor ao tratamento em relação aos que só passam pela consulta”, afirma.

Ele é um dos cientistas que defendem o aprofundamento das investigações sobre a medicina e a espiritualidade, até para que seja possível encontrar a resposta para os casos bem-sucedidos desse casamento. A idéia é estudar não só os efeitos das práticas espíritas, mas o poder da oração e da fé, por exemplo. Essa proposta já é seguida por instituições estrangeiras. Alguns cientistas chegaram a conclusões interessantes. “A religiosidade fortalece o sistema de defesa dos pacientes”, disse Harold Koenig, da Universidade de Duke em uma entrevista a revista ISTO É . Porém, nem sempre os tratamentos que unem medicina e religiosidade, inclusive o espiritismo, têm final feliz. Por isso, muitos cientistas vêem com reservas essa relação.

O Conselho Federal de Medicina não critica os médicos que estimulam a prática religiosa a seus pacientes. “Mas somos contra as pessoas que praticam a medicina sem ser médicos, como as que realizam as cirurgias espirituais”, avisa Luiz Salvador de Miranda Sá Júnior, primeiro secretário do CFM.


TESTEMUNHOS
 
A treinadora do Flamengo e deputada estadual Georgette Vidor (PP), ficou paraplégica após um acidente de ônibus em maio de 1997. Dois anos depois, decidiu dar mais atenção à sua espiritualidade. “Comecei a receber passes. Não achava que aquilo iria me tirar da cadeira de rodas. Queria me tornar uma pessoa melhor”, explica. Mesmo com toda a adrenalina de treinadora, ela dava um jeito de não faltar às sessões. Embora lamente o acidente até hoje, admite que conseguiu o objetivo de se aprimorar. “Meus amigos até me dizem que eu era muito carrancuda e fiquei mais bonita”, festeja.
 
Desde 1995, a cantora Elba Ramalho, é frequentadora assídua do centro espírita Lar de Frei Luiz, no Rio.



A cantora já fez diversos tratamentos. Numa ocasião, sentiu pontadas estranhas na região do fígado. Elba foi operada em uma sessão de materialização – em que um espírito se materializa, segundo a doutrina espírita. No Frei Luiz, o principal médico a realizar esses trabalhos é o espírito do doutor Frederick, um alemão nazista que viria do além para limpar seu carma. “Ele abriu minha barriga inteira com seu dedo. Jorrava sangue. Disse que eu tinha uma carga muito grande nessa região, que poderia se transformar em doença no futuro próximo”, recorda-se. Elba afirma que recorre ao centro não apenas em busca de cura física e espiritual. “Frei Luiz me dá proteção, equilíbrio e muita paz”, diz.

De qualquer maneira, é sempre preciso buscar lugares e pessoas que exerçam com seriedade e responsabilidade esta atividade. Médiuns caridosos e entidades que atuem com respeito aos valores e tradições espiritas.  


sábado, 1 de junho de 2013

MEDICINA ESPIRITUAL

 
 
Nós, espíritas, acreditamos que as pessoas negativas podem atrair espíritos desencarnados que contribuem para o surgimento de desequilíbrios físicos e mentais. Indivíduos que guardam mágoas, por exemplo, sofrem alterações químicas que podem levar ao aparecimento de doenças ou ao seu agravamento. Além das atividades convencionais da doutrina espirita uma nova tendência ganha corpo na sociedade: a Medicina Espiritual que reúne profissionais que praticam a medicina convencional, mas usam sua crença para tentar melhorar a saúde do paciente que quiser receber esse atendimento. Estes profissionais, além do conhecimento científico do corpo humano, acreditam que o organismo pode ser influenciado por espíritos desencarnados – ou por pensamentos das próprias pessoas.

A técnica destes profissionais que seguem a doutrina é adotar medidas preconizadas pelo espiritismo para reverter esses quadros. Uma delas é fazer a aplicação de passes (imposição de mãos para energização e transferência de bons fluidos).

Essas práticas também fazem parte do tratamento aplicado nos hospitais espíritas existentes no País. Hoje, há 100 instituições do gênero. São entidades que oferecem atendimento espiritual gratuito. A maioria delas é destinada à assistência psiquiátrica. Nesses locais, o doente é submetido ao tratamento tradicional – o que inclui remédios e terapia psicológica – e, se desejar, cuida do espírito.
 
Fundação Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, em Guarulhos (SP).
 
Na instituição moram cerca de 700 portadores de deficiências mentais e outros 500 são atendidos no ambulatório. A maior parte nasceu com paralisia cerebral.

O psiquiatra Frederico Leão é um dos médicos da fundação. Surpreso diante da evolução de doentes que combinavam o atendimento espiritual e o convencional, ele fez uma tese de mestrado sobre o assunto, que foi defendida na USP. “Vi casos em que, quando os doentes se submetiam ao tratamento médico e espiritual, tinham uma evolução boa”, conta. Um dos casos é o de um paciente de 30 anos, que nasceu com paralisia cerebral. Ele não se expressa direito e se locomove numa cadeira de rodas. Há cinco anos, passou a ficar inquieto e manchas escuras apareceram em sua pele. “Os médicos fizeram de tudo e nada adiantou”, lembra-se Márcia Lopes, psicóloga da instituição. Continuaram com os remédios, mas também aplicaram o passe. Os sintomas desapareceram.

Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro, de Curitiba.
 
Aqui, os médicos também adotam uma prática da doutrina que ajudaria no tratamento. São as sessões de “desobsessão”, reuniões nas quais médiuns (pessoas por meio das quais os espíritos se manifestariam) serviriam como instrumento para que espíritos que estão atormentando o doente se comunicassem e fossem convencidos a deixá-lo em paz. “Quando isso acontece, o paciente fica mais calmo e seu estado clínico melhora”, garante o psicólogo Mário Sérgio Silveira, da instituição. O Hospital Espírita André Luiz, de Belo Horizonte, também usa o tratamento de “desobsessão”. “Em casos difíceis de esquizofrenia, por exemplo, fazemos essa recomendação”, afirma Roberto Lúcio de Souza, psiquiatra e diretor da instituição. Em nenhum desses locais, no entanto, deixa-se a terapia convencional de lado. “O tratamento espírita é complementar e não alternativo. Quem passa pelo atendimento, para qualquer doença, não pode deixar de tomar os remédios”, alerta Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil.

Lar de Frei Luiz, no Rio de Janeiro.
 

A instituição conta com 800 médiuns e recebe cerca de quatro mil visitantes em cada um dos dias de atendimento (quarta-feira e domingo). Há 12 anos, essa média era de 800 pessoas. Todos buscam curas físicas, espirituais ou algum consolo. Há salas de cura, de “desobsessão” e de passes. Uma das histórias mais incríveis relacionadas ao centro foi a do compositor Tom Jobim (1927-1994). Quando se submetia a tratamentos convencionais para tratar um câncer de bexiga, Tom esteve duas vezes no Frei Luiz. Na véspera de viajar para Nova York, em 1994, quando morreu de parada cardíaca no Hospital Mount Sinai, o músico conversou com Ronaldo Gazolla, já falecido, na época presidente do centro. Tom estava na dúvida se viajava e quis saber a opinião de Gazolla. O médico desconversou, não queria influenciar o maestro, embora soubesse que os espíritos já o consideravam curado. “Mas se fosse com você?”, insistiu Tom. “Se fosse eu, não iria”, recomendou Gazolla. Não se sabe o que teria acontecido ao compositor se ele tivesse ouvido o conselho, mas com certeza não teria morrido na mesa de cirurgia. Ana Lontra Jobim, viúva do músico, fala do assunto com reserva. “Quando esteve lá, ele saiu mais aliviado”, conta. A farmacêutica Helena Gazolla, viúva de Ronaldo Gazolla, que assumiu a presidência da instituição, explica que, se ocorreram curas, são consequência do merecimento dos doentes. “A pessoa se cura por meio de sua fé. Os médiuns são apenas um canal de energia para ajudar na recuperação de cada um”, diz.

Um dos atendimentos mais importantes e incomuns em centros espíritas, oferecido pelo Lar de Frei Luiz, são as sessões de materialização, nas quais os espíritos poderiam ser vistos. A matéria-prima que daria forma física ao espírito é chamada de ectoplasma (substância que, de acordo com o espiritismo, seria liberada pelos médiuns para possibilitar a materialização das almas). Nessas reuniões, ocorrem também cirurgias espirituais, feitas por espíritos desencarnados que usariam o corpo do médium. 
 
Cirurgias espirituais é assunto que será publicado em uma postagem próxima.



 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O EVANGELHO DE MARIA MADALENA



 

O Evangelho de Maria Madalena é considerado um Evangelho Apócrifo, e foi escrito possivelmente do século II e do qual chegaram até nossos dias apenas alguns fragmentos.
Dele conservam-se somente três fragmentos: dois, muito pequenos, em grego, em manuscritos do século III e  outro, mais extenso, em copto, provável tradução do original grego. O texto copto foi achado em 1896 embora não tenha sido publicado até 1955. Os fragmentos em grego foram publicados, respectivamente, em 1938 e em 1983.

Em nenhum dos fragmentos há alguma menção sobre o autor deste evangelho. O nome que recebe tradicionalmente, Evangelho de Maria Madalena, deve-se a que se cita no texto uma discípula de Jesus chamada Maria, que a maioria dos especialistas identificam com a Maria Madalena que aparece nos Evangelhos Canônicos.
Não pode ser posterior ao século III, já que os manuscritos em grego correspondem a esta época. Por características internas do texto, como a presença de ideias gnósticas, considera-se que foi redigido no século II.

 
Conteúdo
No fragmento copto, que é o mais extenso, faltam várias páginas e trata-se de um diálogo entre Jesus e seus discípulos. Depois da partida de Jesus, os Apóstolos ficaram desorientados:
 


Eles, no entanto, estavam entristecidos e choravam amargamente dizendo: Como iremos até os gentios e pregaremos o evangelho do reino do filho do homem? Se não tiveram nenhuma consideração com Ele? Como terão conosco?
Então, Maria levantou-se, saudou a todos e disse a seus irmãos:
Não choreis e não vos entristeçais. Não vacileis mais, pois sua graça descerá sobre vós e vos protegerá. Melhor, glorifiquemos sua grandeza, pois nos preparou e nos fez homens. Depois de dizer isto, Maria converteu seus corações ao bem e começaram a comentar as palavras do [Salvador].
Maria, então, relata uma visão e o diálogo que manteve com Jesus nesta visão, cheio de termos próprios do pensamento gnóstico.
O testemunho de Maria é recusado por André e por Pedro, os que duvidam que Jesus tenha preferido uma mulher que a eles para fazer revelações secretas. No entanto, Levi (o apóstolo Mateus) decide pregar "o Evangelho segundo Maria".
Segundo interpretações, o texto revela as tensões existentes nas primitivas comunidades cristãs entre os proto-ortodoxos, representados por Pedro, e os gnósticos, simbolizados por Maria Madalena. Um confronto similar existe em outros textos gnósticos, como o Evangelho de Tomás, a Pistis Sopia ou o Evangelho Copto dos egípcios. Além disso, de acordo com este texto, Maria Madalena teria sido depositária de revelações secretas de Jesus, e teria tido um papel destacado na comunidade cristã pós-pascoal.
Podemos encontrar certas analogias entre as idéias expostas neste evangelho e as religiões orientais como o taoísmo e o budismo.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

MARIA MADALENA

 
Gruta de Sainte Baume em Sainte Marie La Mer
As Escolas Espiritualistas costumam recomendar Maria Madalena como um modelo de reforma intima a ser seguido. A tradição cristã também observa Maria Madalena como um simbolo para aqueles que tenham intenção de mudar suas vidas a partir dos ensinamentos de Jesus. De qualquer maneira, a historia fascinante desta mulher inspira e seduz aqueles que buscam o auto-conhecimento. Como diz o ditado "sempre que se tenta aprender alguma coisa sobre alguém, acaba-se descobrindo algo sobre sí mesmo". Seja pela identificação ou pela comparação de modelos, Maria Madalena talvez seja a maior prova disto para aqueles que professam a fé cristã.

Ao mergulhar na busca por esta personagem inportante da vida de Jesus, cheguei ao sul da França e a uma historia que já deu margem a muitas outras. Porque existe uma tradição segundo a qual Maria Madalena, seu irmão Lázaro e Maximino, um dos setenta e dois discípulos, bem como alguns companheiros, viajaram num barco pelo mar Mediterrâneo fugindo das perseguições na Terra Santa e desembarcaram finalmente no lugar chamado Saintes-Maries-de-la-Mer, próximo de Arles.
Posteriormente, Maria Madalena viajou até Marselha, onde iniciou a evangelização na Provence, para depois retirar-se para uma gruta -A Sainte Baume- nas proximidades de Marselha, onde teria levado uma vida de penitência durante 30 anos. Segundo esta tradição, quando chegou a hora de sua morte, foi levada pelos Anjos a Aix-em-Provence, ao oratório de São Maximino, onde recebeu a extrema unção. Seu corpo foi sepultado no oratório construído por Maximino em Villa Lata, conhecido desde então como Sto. Maximino.
O primeiro lugar da França no qual se sabe que houve culto a Maria Madalena foi a cidade de Vézelay, em Borgonha. Estão confirmadas as peregrinações ao sepulcro de Maria Madalena em Vézelay desde pelo menos 1030. Santiago de Vorágine refere à versão oficial do translado das relíquias da Santa desde seu sepulcro no oratório de São Maximino em Aix-em-Provence até a recém-fundada abadia de Vézelay, em 771.
 
Um culto posterior que atraiu numerosos peregrinos iniciou-se quando o corpo de Maria Madalena foi oficialmente descoberto, em 9 de setembro de 1279, em Saint-Maximin-a-Sainte-Baume, Provence, pelo então príncipe de Salerno, futuro rei Carlos II de Nápoles. Nessa localidade construiu-se um grande monastério domínico, de estilo gótico, um dos mais importantes do sul da França.
 
Em 1600 as supostas relíquias foram depositadas em um sarcófago, que o papa Clemente VIII mandou fazer, mas a cabeça foi depositada à parte, em um relicário. As relíquias foram profanadas durante a Revolução Francesa. Em 1814 restaurou-se o templo e recuperou-se a cabeça da Santa, que se venera atualmente nesse lugar. Todo ano, de 23 a 25 de maio, realiza-se um festival na cidade de Les-Saintes-Maries-de-La-Mer, na França, no santuário dedicado a Santa Sara, a egípcia, também chamada de Sara Kali, a "Rainha Negra':

As pesquisas revelaram que esse festival, cuja origem remonta à Idade Média, homenageia uma criança "egípcia" que acompanhava Maria Madalena, Marta e Lázaro quando de sua chegada à região, num pequeno barco, por volta do ano 42 d.C. Parece que se difundiu entre os habitantes locais a suposição de que a criança, por ser "egípcia”, tinha pele escura. Como não se encontrou nenhuma outra explicação razoável para a sua presença, deduziu-se, posteriormente, que ela devia ter vindo de Betânia como serva da família.

ROTEIRO PARA VIAGEM

 
- Para conhecer Saintes Maries La Mer e a Gruta de Sainte Baume, o melhor periodo é entre Junho e Agosto.

- Evite a Festa de Santa Sara em Maio, quando a cidade fica cheia demais. Santa Sara é a padroeira dos Ciganos.

- Melhor hospedar-se em Arles, a 40 km de Sainte Marie, que tem maior oferta de hotéis e mais baratos que em St. Marie.

- Para chegar lá, pode-se alugar um carro em Arles ou usar um taxista local, que e são acostumados com este trajeto.

Pesquisa: local, Carte de la Cité de Sainte Marie La Mer, VOPUS, Wikipedia.

 

sábado, 25 de maio de 2013

VIDAS PASSADAS - Introdução


 

INTRODUÇÃO

          Muitos estudiosos se dedicam a desvendar o misterioso mundo do além. Cientistas de todo o mundo registram evidencias de visões descritas por pacientes em estado terminal, a chamada EQM, experiência de quase morte.

A possibilidade da vida e da morte serem mais do que processos biológicos, a existência do espirito e o conceito de reencarnações sucessivas, são temas que agitam discussões filosóficas e religiosas desde sempre. Povos da antiguidade, especialmente os orientais, tinham versões diferentes para o que acontece após a morte. O assunto polêmico também agita o meio científico..

            Há uma tese que diz que, estas experiências de quase morte, são alucinações geradas pela falta de oxigênio no cérebro. O problema é que existem apenas evidências e não provas desses fenômenos. E eles podem ter explicações alternativas, apesar de se repetirem da mesma forma em vários lugares do mundo. Muitas destas teorias são aceitas sem uma rigorosa avaliação só por virem de profissionais de prestígio. A contribuição dos espiritualistas passa pela busca de formas contundentes para a aceitação do transcendental, como a gravação de vozes e até de imagens de espíritos. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

O HOMEM QUE INVENTOU JESUS

O mundo cristão não seria o mesmo sem a mensagem que Paulo de Tarso transmitiu ao Império Romano. Para conquistar fiéis, ele fez concessões que desagradaram aos discípulos de Jesus – e ainda despertam acirradas discussões entre pensadores e religiosos. Afinal, Paulo espalhou ou deturpou a palavra de Cristo?

 
Paulo tinha cerca de 28 anos quando ocorreu seu encontro místico com Jesus. Depois de ter se tornado um fervoroso discípulo do Nazareno, viveu algum tempo na comunidade cristã damasquina, até ser expulso pelos judeus. Refugiou-se por cerca de dois anos na Arábia – território dominado pela tribo dos nabateus –, que se estendia do mar Vermelho até Damasco, margeando a Palestina pelo leste. Nesse período, estudou e refletiu sobre os ensinamentos de Cristo. Por volta do ano 37, retornou a Damasco, onde fez suas primeiras pregações. Mais uma vez, provocou a fúria da comunidade judaica e teve de deixar a cidade numa fuga cinematográfica.
Como os portões da cidade estavam vigiados, ele escondeu-se num cesto que foi descido pelas muralhas.
 
Era noite e Paulo andou por cinco horas até sentir-se a salvo. Após seis dias de caminhada, chegou a Jerusalém. Havia três anos que ele tinha deixado a cidade.Os cristãos de Jerusalém o receberam com desconfiança. Afinal de contas, ainda estavam vivas na memória as atrocidades cometidas por Paulo. Coube a Barnabé, um ex-colega da escola de Gamaliel convertido ao cristianismo, apresentá-lo aos apóstolos. Foi nessa ocasião que aconteceu o primeiro encontro com Pedro, um dos discípulos mais próximos de Jesus. Durante 15 dias, eles permaneceram juntos. Mas não tardou para o Sinédrio saber que Paulo, agora cristianizado, havia voltado. Diante do perigo que corria em Jerusalém, Paulo mais uma vez teve de fugir: o destino foi Tarso, sua cidade natal, onde permaneceu por sete ou oito anos. Nada se sabe sobre sua vida nesse período...
 
Paulo – descrito em textos apócrifos como "um homem pequeno com uma grande cabeça careca" – partiu para sua primeira jornada missionária. Nessa ocasião, ele tinha cerca de 40 anos. Durante 12 anos, de 46 a 58, Paulo empreendeu quatro viagens evangelizadoras, visitando boa parte do Império Romano, que se estendia da Grã-Bretanha ao Oriente Médio, passando pelo norte da África. Eram jornadas árduas, feitas a pé ou de navio, sempre na companhia de outros discípulos. Quando viajavam por terra, seguiam pelas estradas romanas, percorrendo 30 quilômetros por dia.
A estratégia pastoral de Paulo era bem definida. Pregava nas sinagogas, em casas e praças de grandes centros urbanos, que funcionavam como pólos irradiadores da mensagem. Ao sair, designava um líder responsável pelo rebanho. A primeira viagem, entre 46 e 48, foi feita em companhia de Barnabé e de Marcos, outro discípulo cristão, o mesmo a quem é atribuído um dos quatro evangelhos.  É a partir dessa primeira expedição que Paulo deixa de ser chamado pelo nome judeu Saulo.
Antes de partir para a segunda viagem, Paulo foi intimado a participar do Concílio Apostólico de Jerusalém, em 49, que reuniu a nata do cristianismo primitivo. Foi um encontro tenso, onde, pela primeira vez, vieram à tona as divergências entre Paulo e o grupo de judeus-cristãos, tendo à frente Pedro e Tiago Menor, líder da comunidade cristã em Jerusalém.
 
A assembléia discutiu assuntos delicados, como a obrigatoriedade da circuncisão para os pagãos convertidos ao cristianismo. A questão era importante e polêmica, pois a circuncisão era encarada como a porta de entrada do judaísmo. Ao aceitá-la, os convertidos assumiam que adotariam integralmente a cultura judaica. Paulo era contra, pois acreditava que o sacramento do batismo era suficiente para a conversão. Em suas pregações, ele encontrava forte resistência dos pagãos, que não entendiam por que deveriam se submeter ao ritual de iniciação judaico para tornar-se cristãos. Depois de acirradas discussões, Paulo saiu vitorioso. Foi, em parte, por causa dessa liberalização que Paulo arrebanhou um número tão grande de fiéis.
 
Ao final do encontro, Paulo recebeu a alcunha de "apóstolo dos gentios", em contraposição a Pedro, chamado de "apóstolo dos judeus".